30 novembro 2011

"Elas só querem é falar!"


"Elas só querem é falar!"


Já posso morrer lindamente feliz depois de relembrar esse filme. hahaha
Mas hoje eu vou fugir dessa. Vamos deixar o "falar" de lado.
O dia é de (boas) sugestões. Fiquem com um textículo de autoria de um grande amigo de infância (Oi, Yuri Padilha, tou jogando suas viagens por aqui!).



QUINZE HORAS
Yuri Padilha

Ventilador ligado, único barulho. Um sonho:

- O que você sente? - sussuro com os /s/ marcardos.

- Eu sinto que vou morrer... - gaguejando, assustado.

Sobressaltado, levanta e olha a hora - 4h, início de manhã. No espelho, um rosto ainda assustado e suado. Banho quente resolve, relaxa. E café pra pensar - forte e sem açúcar, no estilo Buendía -, com braços apoiados no mármores negro. Tem padoca para molhar no café - e espalhar farelos. Escova os dentes, o som ainda ligado com uma música qualquer de uma rádio local. Coça a barba, olha o retrato, vira a chave e sai. O som continua ligado.

*  *  *

Caminha até o ponto de ônibus, sai bem mais cedo que de costumo. Uma tangerina na mão vai sumindo pouco a pouco. No ônibus, poesias sujas são repassadas. Desce no Campus, quase na sala. Professor substituto, o primeiro passo de um vida longa que viria. De lá, ao sol, para a biblioteca até as 12h. O chinês nosso de cada almoço. Ah, dessa vez com suco. Era o combinado: junto sem coca, só suco.

*  *  *

"Qualquer dia a gente vira cidadão da noite", reclama sobre o sol forte. Corre para o aeroporto, compra uma revista - qualquer uma, é só gostar da capa. Cinco para as quinze. Vai ao vidro e bebe água. Pessoas descem, ela não. São quinze e trinta. Pessoas descem, ela não. Bate dezesseis: "Não é hoje que o avião vem, devo ter confundido".

*  *  *

As quinze horas são esperadas há um mês. A mesma rotina circula como sangue. Todos os planos e sorrisos cairam do céu ao chão. E o dia se vai. E ela nunca virá.

*  *  *



"Quem sabe o que é ter e perder alguém

Faz tanta falta o teu amor e te esperar...

Não sei viver sem te ter

Não dá mais pra ser assim"






Super recomendo os delírios de Yuri! Dêem uma passada, puxem um banquinho e viagem junto na bodega do Padilha. Au revoir!

2 comentários:

  1. Fui no blog do Yuri e adorei. :) Boa sorte por aqui, Letícia. :*

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  2. Obrigad, Railma!
    AH, os textos dele são incríveis! Ele é maluco da Silva! (:

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